Prova para
CESPE / CEBRASPE — 2024
CESPE / CEBRASPE - 2024 - Prefeitura de Camaçari - BA - BA - Professor - Disciplina: Língua Portuguesa
- Concurso:
- Prefeitura de Camaçari - BA
- Banca:
- CESPE / CEBRASPE
Questões da prova
Ano: 2024Banca: CESPE / CEBRASPECargo: BA - Professor - Disciplina: Língua PortuguesaConcurso: Prefeitura de Camaçari - BA
Texto 42A2-III Sou só um sertanejo, nessas altas ideias navego mal. Sou muito pobre coitado. Inveja minha pura é de uns conforme o senhor, com toda leitura e suma doutoração. Não é que eu esteja analfabeto. Soletrei, anos e meio, meante cartilha, memória e palmatória. Tive mestre, Mestre Lucas, no Curralinho, decorei gramática, as operações, regra de três, até geografia e estudo pátrio. Em folhas grandes de papel, com capricho tracei bonitos mapas. Ah, não é por falar: mas, desde o começo, me achavam sofismado de ladino. E que eu merecia de ir para cursar latim, em Aula Régia – que também diziam. Tempo saudoso! Inda hoje, apreceio um bom livro, despaçado. Na fazenda O Limãozinho, de um meu amigo Vito Soziano, se assina desse almanaque grosso, de logogrifos e charadas e outras divididas matérias, todo ano vem. Em tanto, ponho primazia é na leitura proveitosa, vida de santo, virtudes e exemplos – missionário esperto engambelando os índios, ou São Francisco de Assis, Santo Antônio, São Geraldo... Eu gosto muito de moral. Raciocinar, exortar os outros para o bom caminho, aconselhar a justo. Minha mulher, que o senhor sabe, zela por mim: muito reza. Ela é uma abençoável. Compadre meu Quelemém sempre diz que eu posso aquietar meu temer de consciência, que sendo bem-assistido, terríveis bons-espíritos me protegem. Ipe! Com gosto... Como é de são efeito, ajudo com meu querer acreditar. Mas nem sempre posso. O senhor saiba: eu toda a minha vida pensei por mim, forro, sou nascido diferente. Eu sou é eu mesmo. Diverjo de todo o mundo... quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa.Guimarães Rosa. Grande sertão: veredas., In: João Guimarães Rosa / Ficção completa, vol. II. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994. p. 12-4 Na terceira fase do Modernismo brasileiro, Guimarães Rosa apontou novos rumos para a literatura brasileira, por meio de uma perspectiva renovada para o regionalismo. Considerando a leitura do texto 42A2-III e aspectos da literatura brasileira, assinale a opção correta a respeito dessa perspectiva.
Ano: 2024Banca: CESPE / CEBRASPECargo: BA - Professor - Disciplina: Língua PortuguesaConcurso: Prefeitura de Camaçari - BA
Texto 42A2-IICunhantã Vinha do Pará.Chamava Siquê.Quatro anos. Escurinha. O riso gutural da raça.Piá branca nenhuma corria mais do que ela. Tinha uma cicatriz no meio da testa:― Que foi isto, Siquê?Com voz de detrás da garganta, a boquinha tuíra:― Minha mãe (a madrasta) estava costurandoDisse vai ver se tem fogoEu soprei eu soprei eu soprei não vi fogoAí ela se levantou e esfregou com minha cabeça na brasa Riu, riu, riu Uêrêquitáua.O ventilador era a coisa que roda.Quando se machucava, dizia: Ai Zizus!Manuel Bandeira. Libertinagem. In: Manuel Bandeira: poesia completa e prosa.Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1990, p. 216.Vocabulário:cunhantã – (tupi-guarani) menina, moça.piá – menino(a) mestiço(a) de indígena com branco.tuíra – de cor indefinida, preto desbotado, pardo. Tendo em vista que os poetas do Modernismo brasileiro se encarregaram da desconstrução dos mitos do passado para a construção de um nacionalismo crítico, com uma visão consciente e aprofundada da realidade na poesia brasileira, assinale a opção correta relativamente à representação literária do indígena no texto 42A2-II.
Ano: 2024Banca: CESPE / CEBRASPECargo: BA - Professor - Disciplina: Língua PortuguesaConcurso: Prefeitura de Camaçari - BA
Texto 42A2-IICunhantã Vinha do Pará.Chamava Siquê.Quatro anos. Escurinha. O riso gutural da raça.Piá branca nenhuma corria mais do que ela. Tinha uma cicatriz no meio da testa:― Que foi isto, Siquê?Com voz de detrás da garganta, a boquinha tuíra:― Minha mãe (a madrasta) estava costurandoDisse vai ver se tem fogoEu soprei eu soprei eu soprei não vi fogoAí ela se levantou e esfregou com minha cabeça na brasa Riu, riu, riu Uêrêquitáua.O ventilador era a coisa que roda.Quando se machucava, dizia: Ai Zizus!Manuel Bandeira. Libertinagem. In: Manuel Bandeira: poesia completa e prosa.Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1990, p. 216.Vocabulário:cunhantã – (tupi-guarani) menina, moça.piá – menino(a) mestiço(a) de indígena com branco.tuíra – de cor indefinida, preto desbotado, pardo. Assinale a opção correta em relação ao texto 42A2-II.
Ano: 2024Banca: CESPE / CEBRASPECargo: BA - Professor - Disciplina: Língua PortuguesaConcurso: Prefeitura de Camaçari - BA
Texto 42A2-I Com efeito, não se fala de outra coisa. Tudo quer, tudo pede, tudo deseja a saúde, ou pelo menos, a ausência da febre amarela. Esta velha dama, que estabeleceu aqui um pied-à-terre*, não se esquece de nós inteiramente; há anos em que traz toda a criadagem, e estabelece-se por uma estação e mais. Come que é o diabo, e dá muito de comer à empresa funerária, a qual, devendo detestá-la, pelo lado humano, não pode desadorá-la por outro lado, não menos humano. Há dessas lutas terríveis na alma do homem. Não, ninguém sabe o que se passa no interior de um sobrinho, tendo de chorar a morte de um tio e receber-lhe a herança. Oh! Contraste maldito! Oh! dilaceração moral! Aparentemente, tudo se recomporia, desistindo o sobrinho do dinheiro herdado; ah!! Mas então seria chorar duas coisas: o tio e o dinheiro. Machado de Assis. Bons dias! Campinas: Unicamp, 2008, p. 223-4. *moradia provisória ou habitada em temporadas Assinale a opção correta em relação aos recursos estilísticos explorados no texto precedente, extraído de uma das crônicas jornalísticas escritas por Machado de Assis.
Ano: 2024Banca: CESPE / CEBRASPECargo: BA - Professor - Disciplina: Língua PortuguesaConcurso: Prefeitura de Camaçari - BA
O professor Adelino falou sobre o número de sílabas que “o Gonçalves” gostava de usar, das pausas, da rima consoante e da toante, ali havia o segredo da musicalidade de grandes poetas, nec pluribus impar*, falou da velha tradição da poesia portuguesa, dos árcades e que, embora o Gonçalves violasse as regras do verso e da gramática, era um poeta dos melhores. Que o Gonçalves tinha o direito de quebrar as regras do verso porque era verdadeiro poeta e o senso natural dos verdadeiros poetas vale mais que todas as regras, sejam da Versificação, sejam da gramática! Eu o ouvi, fiz-lhe perguntas e nossa conversa aconteceu. Claro, como poderia não acontecer? Ele falava do meu assunto predileto, o Gonçalves, e descobriu que quando falava no poeta, ou em poesia, eu me interessava, ele passou a levar o livro de Antonio para a minha casa, a fazer leituras em voz alta de poemas de Antonio. Embalde o professor Adelino tentava me conquistar com as poesias de Antonio que lia em voz alta, tão emocionado como se ele mesmo as houvesse escrito, ao final tecia comentários sobre a poesia, daí em diante nossos encontros eram para essas leituras, eu sentia algum pudor da situação, mas agradava-me fechar os olhos e imaginar que quem estava ali na minha frente lendo para mim era o autor das composições. Ana Miranda. Dias e dias: romance. São Paulo: Companhia das Letras, 2002. p. 143. *superior aos outros homens No fragmento de texto precedente, extraído da obra Dias e dias, uma biografia romanceada do escritor Antonio Gonçalves Dias, Feliciana, a narradora,
Ano: 2024Banca: CESPE / CEBRASPECargo: BA - Professor - Disciplina: Língua PortuguesaConcurso: Prefeitura de Camaçari - BA
Figura 42A1-II Internet: <www.instagram.com/mineducacao/>. Assinale a opção correta em relação à análise da estrutura linguística do texto da figura 42A1-II.
Ano: 2024Banca: CESPE / CEBRASPECargo: BA - Professor - Disciplina: Língua PortuguesaConcurso: Prefeitura de Camaçari - BA
Figura 42A1-II Internet: <www.instagram.com/mineducacao/>. No segundo período do texto da figura 42A1-II, a função de linguagem que predomina é a
Ano: 2024Banca: CESPE / CEBRASPECargo: BA - Professor - Disciplina: Língua PortuguesaConcurso: Prefeitura de Camaçari - BA
Figura 42A1-II Internet: <www.instagram.com/mineducacao/>. Assinale a opção correta em relação ao uso da linguagem coloquial no texto da figura 42A1-II.
Ano: 2024Banca: CESPE / CEBRASPECargo: BA - Professor - Disciplina: Língua PortuguesaConcurso: Prefeitura de Camaçari - BA
A sofisticação das línguas indígenas Você provavelmente já encontrou pelas redes sociais o famigerado #sqn, aquele jeito telegráfico de dizer que tal coisa é muito legal, “só que não”. Agora, imagine uma língua totalmente diferente do português que deu um jeito de incorporar um conceito parecido na própria estrutura das palavras, criando o que os linguistas apelidaram de “sufixo frustrativo” — um #sqn que faz parte da própria história do idioma. É exatamente assim que funciona no kotiria, um idioma da família linguística tukano que é falado por indígenas do Alto Rio Negro, na fronteira do Brasil com a Colômbia. Para exprimir a função “frustrativa”, o kotiria usa um sufixo com a forma -ma. Você quer dizer que foi até um lugar sem conseguir o que queria indo até lá? Basta pegar o verbo “ir”, que é wa’a em kotiria, e acrescentar o sufixo: wa’ama, “ir em vão”. Dá para encontrar detalhes surpreendentes como esse em todas as mais de 150 línguas indígenas ainda faladas no território brasileiro. Elas são apenas a ponta do iceberg do que um dia existiu por aqui. Calcula-se que pelo menos 80% dos idiomas que eram falados no Brasil desapareceram de 1.500 para cá. Mesmo assim, o país continua abrigando uma das maiores diversidades linguísticas do planeta. A propósito, esqueça aquele negócio de “tupi-guarani”, expressão que é meio como dizer “português-espanhol”. O tupi é uma língua; o guarani é outra — e, aliás, existem diversas formas de guarani, nem sempre inteligíveis entre si. O único emprego correto do substantivo composto “tupi-guarani” é o que serve para designar uma subfamília linguística com esse nome, a qual engloba dezenas de idiomas. Entre seus membros ainda usados no cotidiano estão o nheengatu, os vários “guaranis”, o tapirapé e o guajá. Uma subfamília, como você pode imaginar, faz parte de uma família linguística mais ampla — nesse caso, a família tupi propriamente dita. Existem pelo menos outras três grandes famílias linguísticas no país, diversas outras famílias de porte mais modesto e, de quebra, várias línguas consideradas isoladas. É mais ou menos o mesmo caso do basco, falado na Espanha e na França — com a diferença de que o basco é um dos únicos casos desse tipo no território europeu. Essa comparação ajuda a entender o tamanho da riqueza linguística brasileira. Com raríssimas exceções (fora o basco, temos também o finlandês e o húngaro, por exemplo), todos os falares ainda utilizados hoje na Europa fazem parte de uma única família linguística, a do indo-europeu. Pode não parecer à primeira vista, mas é praticamente certo que o alemão, o russo, o grego, o português e o lituano descendem de um único idioma pré-histórico, que hoje chamamos de protoindo-europeu. Reinaldo José Lopes. Internet. <super.abril.com.br.> (com adaptações). São acentuadas devido à mesma regra ortográfica as palavras
Ano: 2024Banca: CESPE / CEBRASPECargo: BA - Professor - Disciplina: Língua PortuguesaConcurso: Prefeitura de Camaçari - BA
A sofisticação das línguas indígenas Você provavelmente já encontrou pelas redes sociais o famigerado #sqn, aquele jeito telegráfico de dizer que tal coisa é muito legal, “só que não”. Agora, imagine uma língua totalmente diferente do português que deu um jeito de incorporar um conceito parecido na própria estrutura das palavras, criando o que os linguistas apelidaram de “sufixo frustrativo” — um #sqn que faz parte da própria história do idioma. É exatamente assim que funciona no kotiria, um idioma da família linguística tukano que é falado por indígenas do Alto Rio Negro, na fronteira do Brasil com a Colômbia. Para exprimir a função “frustrativa”, o kotiria usa um sufixo com a forma -ma. Você quer dizer que foi até um lugar sem conseguir o que queria indo até lá? Basta pegar o verbo “ir”, que é wa’a em kotiria, e acrescentar o sufixo: wa’ama, “ir em vão”. Dá para encontrar detalhes surpreendentes como esse em todas as mais de 150 línguas indígenas ainda faladas no território brasileiro. Elas são apenas a ponta do iceberg do que um dia existiu por aqui. Calcula-se que pelo menos 80% dos idiomas que eram falados no Brasil desapareceram de 1.500 para cá. Mesmo assim, o país continua abrigando uma das maiores diversidades linguísticas do planeta. A propósito, esqueça aquele negócio de “tupi-guarani”, expressão que é meio como dizer “português-espanhol”. O tupi é uma língua; o guarani é outra — e, aliás, existem diversas formas de guarani, nem sempre inteligíveis entre si. O único emprego correto do substantivo composto “tupi-guarani” é o que serve para designar uma subfamília linguística com esse nome, a qual engloba dezenas de idiomas. Entre seus membros ainda usados no cotidiano estão o nheengatu, os vários “guaranis”, o tapirapé e o guajá. Uma subfamília, como você pode imaginar, faz parte de uma família linguística mais ampla — nesse caso, a família tupi propriamente dita. Existem pelo menos outras três grandes famílias linguísticas no país, diversas outras famílias de porte mais modesto e, de quebra, várias línguas consideradas isoladas. É mais ou menos o mesmo caso do basco, falado na Espanha e na França — com a diferença de que o basco é um dos únicos casos desse tipo no território europeu. Essa comparação ajuda a entender o tamanho da riqueza linguística brasileira. Com raríssimas exceções (fora o basco, temos também o finlandês e o húngaro, por exemplo), todos os falares ainda utilizados hoje na Europa fazem parte de uma única família linguística, a do indo-europeu. Pode não parecer à primeira vista, mas é praticamente certo que o alemão, o russo, o grego, o português e o lituano descendem de um único idioma pré-histórico, que hoje chamamos de protoindo-europeu. Reinaldo José Lopes. Internet. <super.abril.com.br.> (com adaptações). A palavra