Ano: 2006Banca: CESPE / CEBRASPECargo: Agente AdministrativoConcurso: MDS
Texto associado
Por mais otimista que se possa ser em relação ao Brasil, é impossível não pensar no pior para o seu futuro quando, em um belo domingo de sol, se acorda lendo no jornal que pelo país afora há meninas de onze anos vendendo o corpo por R$ 1,99 ou de cinco anos fazendo sexo oral por R$ 0,50 e à noite se vê no Fantástico o documentário Falcão, em que um menino sonha em ser bandido, o outro de três anos brinca de dar tiro e vender cocaína e um terceiro resume assim o destino dessa geração perdida: “Se eu morrer, nasce um outro que nem eu, pior ou melhor”. Existe retrato mais cruel do porvir que nos espera? O mais grave é que esses problemas não são de hoje, são quase crônicos, já amplamente denunciados por CPIs e pela mídia, sem sucesso. Meninos carregando fuzis e cheirando cocaína são tão comuns nas periferias de nossas metrópoles quanto fazem parte da bela paisagem de algumas cidades nordestinas as imagens de meninas sentadas ao lado ou no colo de turistas estrangeiros. A infância perdeu a inocência e nós perdemos a capacidade de nos escandalizar. Zuenir Ventura. Um futuro sem futuro. In: O Globo, 22/3/2006, p. 6A-7 (com adaptações).
Tendo o texto acima como referência inicial e considerando a amplitude do tema por ele abordado, julgue o item que se segue. Mencionadas no texto, as CPIs são comissões parlamentares de inquérito, isto é, grupos de parlamentares que trabalham, durante algum tempo, na investigação de um determinado fato.